Educação pelo exemplo


Foto: Aniele Nascimento (2018)

Tutora deste bulldog francês, Daniela Maganhotte sempre leva um saco plástico para recolher as fezes do doguinho, em Curitiba (PR). O Planeta agradece, Dani :)

Meus agradecimentos especiais à Aniele Nascimento e Raquel Derevecki.





Crianças aprendem muito a partir do que veem. E adultos igualmente. Afinal, somos seres curiosos por natureza, temos a incrível capacidade de assimilarmos, constantemente, novos aprendizados e conceitos. Temos até um conjunto cerebral dotado de neuroplasticidade, que possibilita construções e adaptações a todo tempo.


Nesse sentido, o hábito dos indivíduos forma o patamar em que a sociedade se encontra. Perceba. Todos cooperam para educar ou deseducar os outros, norteando suas escolhas, posturas, caminhos.


Numa viagem ao Nordeste para ministrar uma palestra, peguei um táxi e puxei conversa com o motorista. De cara percebi que o cinto estava enguiçado e pedi ajuda. De chofre, disse que eu não me preocupasse pois a polícia não “nos pegaria”. E, ainda, que não gostava de utilizar a tal faixa ajustável.


Expliquei que preferia botar, preventivamente. Com a maior tranquilidade, prosseguiu: “Eu não uso, mas mando meu filho colocar”. Quando essa criança irá aprender que o cinto é equipamento de segurança principalmente para si mesmo?


Em duas cidades gaúchas vi a estupidez em dose dupla. Em Ijuí, o pequeno shih tzu caminhava com sapatinhos caros da pet shop para evitar contaminações durante o passeio crepuscular para fazer o número dois. Porém, a “tutora” deixou o cocô dele no jardim externo do prédio em que eu morava. Sério isso? Seriíssimo.


Em Tenente Portela, uma senhora levou o cusco ao banheiro privativo dele. Sabe onde? Um canteiro que é rótula de trânsito. Depois de raspar as patas para trás – ele, evidentemente –, foram-se embora numa boa.


Mas nem tudo está perdido. No meu sábado de folga em Beagá (MG), resolvi andar a esmo. Logo avistei uma mulher e seu doguinho com aquela intenção de fazer suas necessidades. Ele, ansioso, ela, atenciosa: “Espera aí, bebê”!


Depois de feito o serviço, o aliviado queria sair correndo, e ela, firme na guia, pedia paciência enquanto retirava os excrementos com um saquinho plástico para não emporcalhar a praça Raul Soares. Não podia destoar da música clássica que soava ao comando do maestro chafariz.


Observe este raciocínio. Jogar uma casca de fruta pela janela do carro não seria problema se fosse apenas pelo aspecto do adubo em que ela se transformaria, desde que caísse na terra.


Da mesma forma se a casca não fosse entendida como lixo pela criança que vê a cena de outro carro. Somos responsáveis direta ou indiretamente por ela e pela limpeza do mundo... Se os adultos fazem, por que não faria? Educação também é isto: raciocínio lógico. Sacou?


(Nota da autora: Esta crônica foi escrita/publicada em 2013 e revisada/modificada em 2021).

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